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22/11/2017

Pôr do Sol volta a ser praça, mas moradores querem segurança

Publicado em 29/09/2017

A Prefeitura de São Paulo revogou o decreto que converteu a Praça do Pôr do Sol em parque municipal, mudança que havia sido realizada em 2015 pela gestão Fernando Haddad. O retorno ao status de praça foi publicado no “Diário Oficial” do último dia 21. Segundo a administração João Doria, o objetivo é incluir a área verde do Alto de Pinheiros no programa “Adote uma Praça” e repassar sua zeladoria à iniciativa privada. No entanto, apesar da possibilidade de mudança no modelo de manutenção, moradores vizinhos apontam a segurança como outro problema local, situação que tem se agravado em todo o bairro.

Além de mudanças na zeladoria, moradores do Alto de Pinheiros querem reforço na segurança da área verde, que voltou a ser considerada uma praça pela administração / Grupo 1 de Jornais

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os roubos no Alto de Pinheiros aumentaram em 11% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2016. Já os casos de furto tiveram alta de 33%. Assaltos a residências e a motoristas de Uber se tornaram comuns, afirmam moradores. Entre as ruas onde já ocorreram abordagens estão Caropá, Décio Reis, Napoleão Laureano, Carlos de Souza Aranha, Aquiramun e Pascoal Vita. Neste último endereço um estudante foi baleado no último dia 19.

Em todo o 14º Distrito Policial (DP) de Pinheiros, que abrange Alto de Pinheiros,  os roubos aumentaram de 1.213 casos nos sete primeiros meses do ano passado para 1.353 no mesmo período de 2017. “Perdemos o controle da situação. Não adianta a praça estar com a grama cortada se não há segurança. O lugar virou um point de drogas, onde todo mundo compra e todo mundo vende”, afirma a presidente da Saap (Associação dos Amigos de Alto dos Pinheiros), Maria Helena Bueno.

Para tentar melhorar a segurança na praça e nas imediações, moradores e representantes de diferentes órgãos do poder público se reuniram no último dia 21. A partir do encontro, foi definido que a Praça do Pôr do Sol terá um grupo de trabalho coordenado pela Prefeitura Regional de Pinheiros e composto pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana, pela 1ª Companhia do 23º Batalhão da Polícia Militar e pela sociedade civil por meio da Saap, da Avisol (Associação dos Vizinhos da Praça do Pôr do Sol) e da SAB (Sociedade dos Amigos do Bairro City Boaçava). “Estamos esperançosos com este grupo de trabalho, vamos ver o que vai acontecer”, afirma Maria Helena.

Ainda quanto à segurança, a Praça do Pôr do Sol tem recebido neste ano mudanças na sua infraestrutura, boa parte delas promovida por parcerias da Prefeitura de São Paulo com a iniciativa privada e a sociedade civil. Entre as intervenções, destaque para os novos sistemas de iluminação e de vigilância. Visitada por paulistanos de toda a cidade, a área verde tem uma das mais belas paisagens da região.

O novo sistema de iluminação da praça foi instalado em maio pelo Departamento de Iluminação (Ilume), com apoio da Prefeitura Regional de Pinheiros, que realizou serviços de zeladoria como podas e pinturas. Segundo a gestão João Doria, o trabalho foi realizado sem nenhum custo, utilizando apenas equipamentos que estavam guardados em um almoxarifado da administração no Canindé, zona norte.

Os postes no parque foram estrategicamente colocados em locais onde a sombra das árvores não atrapalha a incidência de luz, evitando pontos escuros. O uso de lâmpadas de vapor metálico tem o objetivo de tornar a iluminação mais eficiente nos locais de vegetação e concreto. Além de deixar a praça mais clara, a iluminação ressaltou as árvores e áreas verdes, conferindo-lhes mais contraste.

Quatro postes foram remodelados e as lâmpadas de quatro pétalas trocadas por luminárias de 400W de vapor metálico para tornar mais eficiente a iluminação no centro da praça. Instalaram-se também quatro postes de 7,5 metros com 2 luminárias de 250W (a 180°), com a infraestrutura necessária. Outras três luminárias antigas (localizadas em “tirantes”) foram remodeladas no trecho da Avenida Diógenes Ribeiro de Lima.

 

Quanto ao sistema de vigilância, uma câmera do modelo speed dome foi instalada em agosto por meio de parceria com a Saap e com o projeto comunitário de monitoração SegD´Boa (Gestão de Negócios). O equipamento é um dos mais modernos do mundo, com registro de imagens em tempo real de até 2 quilômetros de distância em 360 graus, integrado ao City Câmeras, projeto de vigilância realizado em conjunto com o Governo do Estado.

Praça do Pôr do Sol após um final de semana do ano passado / ReproduçãoManutenção

No que se refere à zeladoria, caso a Pôr do Sol tenha o serviço de manutenção transferido para uma empresa, será permitida, em contrapartida, a exposição comercial da marca conforme as especificações da Lei Cidade Limpa, como ocorre em outras áreas verdes da cidade. Na decisão publicada no Diário Oficial, o prefeito João Doria justifica a decisão de reestabelecer a condição de praça pelo “aprimoramento do programa Adote uma Praça e os bons resultados apresentados nos serviços”. 

Há dois anos, a Prefeitura converteu a Praça do Pôr do Sol em parque municipal com a intenção de amenizar os transtornos gerados pelos frequentadores nos finais de semana, como acúmulo de lixo, destruição de lixeiras, consumo de drogas e pichações em residências do entorno.

A partir de uma infraestrutura semelhante à dos parques da cidade, com equipes próprias de vigilância e limpeza, os problemas poderiam ser reduzidos. Porém, as melhorias não se concretizaram, porque a manutenção do local foi transferida da extinta Subprefeitura de Pinheiros para a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, que administra os parques. Com poucos recursos, a pasta municipal não conseguiu arcar com os serviços básicos de zeladoria, que deixaram de ser realizados.

No entanto, para muitos moradores do Alto de Pinheiros, a iniciativa de transformar a área verde em parque deveria ser mantida. “Nós lutamos pelo parque, era o que queríamos, pois há um número enorme de pessoas que frequentam a praça, que necessita de estrutura e serviços compatíveis com o uso. Há dias que vêm milhares de pessoas aqui, com ônibus de turismo que fazem parada no local”, afirma o presidente da Avisol, José Ricardo Rezende.

“Sábado e domingo de manhã o lugar fica nojento, não é possível frequentá-lo, seja com nossos filhos, seja com o cachorro, porque há cacos de vidro no chão”, conta. Ainda segundo ele, há casos de vizinhos que se mudaram por causa da degradação do espaço. “A maioria das pessoas que frequenta o lugar é bem educada, mas há aqueles que desviam o uso do espaço com música alta durante a madrugada, por exemplo”.

Porém, a associação não se opõe ao reestabelecimento da condição de praça. “O que queremos é que o espaço seja cuidado, seja como parque, seja como praça. Vamos dar um voto de confiança para a nova gestão”, conta Rezende, que nos anos 60 morou em frente à área verde, quando esta ainda era um terreno da Companhia City, loteadora do bairro. O local foi transformado em praça no início dos anos 70, como contrapartida da empresa à Prefeitura.

 

 

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