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25/05/2018

Comércio da Rua dos Pinheiros faz balanço dos prejuízos no Carnaval

Publicado em 16/02/2018

Rua dos Pinheiros fechada para o Carnaval; comerciantes querem mudanças para 2019 / Grupo 1 de Jornais

Por Diego Gouvêa

A Rua dos Pinheiros se consolidou nos últimos anos como um dos principais redutos do Carnaval na região. No entanto, com o desfile de blocos, o comércio local afirma ter sido prejudicado pelos seis dias de interdição da via.

Somente no Pré-Carnaval, entre 10 e 11 de fevereiro, quase todos os empresários da Rua dos Pinheiros afirmaram ter sofrido prejuízo com o bloqueio viário. O final de semana que antecede o Carnaval é o período preferido pelos blocos que atraem grande público para desfilar na região, já que a maior parte dos foliões paulistanos ainda não viajou.

Rogério Souza Santana reclama que prejuízos vão além do financeiro durante a festa “No Pré-Carnaval tivemos uma queda de 50%, 60% no movimento devido ao fechamento da rua, pois a maioria dos nossos clientes vem de carro para cá. Chegamos a recomendar que eles estacionassem nas proximidades e viessem a pé, mas alguns são idosos ou têm necessidades especiais de locomoção”, afirma o gerente do restaurante Piccolo, Daniel Brum. Ele também diz que, para tentar amenizar o prejuízo, a Casa cogitou vender bebidas aos foliões. “Iríamos tentar vender bebidas, mas, como há exclusividade de patrocínio no Carnaval, desistimos”, complementa.

Quem também afirma sofrer prejuízo é a gerente do restaurante japonês Hideki, Vera Lúcia Tamashiro. “Tivemos uma demanda baixa por falta de mobilidade, pois tanto os clientes quanto os funcionários tiveram dificuldade de chegar aqui. Além disso, tivemos uma queda de 60% no faturamento no Pré-Carnaval”, diz ela, que também reclama da sujeira na festa. “Teve muita gente que urinou nas portas, foi muito feio”, diz.

Os que não foram tão afetados pela interdição também contam que o prejuízo só não foi maior em virtude das reservas. “No sábado a festa afetou o nosso movimento e, no domingo, tínhamos uma festa programada. Se não fosse por ela, teríamos um rendimento muito baixo”, conta a funcionária do departamento financeiro da Choperia São Paulo, Elen Aquino. “Quando os clientes tomam conhecimento de que a Rua dos Pinheiros é passagem dos blocos, automaticamente cancelam as reservas”, complementa.

Além da queda no movimento de clientes no sábado e no domingo, os responsáveis pelos bares e restaurantes da Rua dos Pinheiros dizem ter de lidar com outros transtornos. “É uma bagunça generalizada, com roubo de celular e gente querendo usar o banheiro de qualquer jeito”, afirma o gerente do Consulado da Bahia, Rogério Souza Santana. Segundo ele, o restaurante teve cerca de 50% de queda no movimento apenas no Pré-Carnaval.

Estabelecimento de Bruno Vitzel não abriu no Carnaval Outros estabelecimentos da Rua dos Pinheiros também reclamam do comportamento de alguns foliões. “O Carnaval é bom para a saúde, mas o pessoal extrapola, suja o banheiro e atrapalha os funcionários, como aconteceu no ano passado. Desta vez, não abrimos”, relata Larissa Paiva, do restaurante mexicano El Mariachi. A casa teve um prejuízo de 50% no primeiro final de semana do Carnaval, diz ela.

Há apenas dois meses na Rua dos Pinheiros, a casa árabe Farik não abriu durante os quatro dias de feriado. “No mês de fevereiro será mais difícil fechar as contas. Abrimos no primeiro sábado (3) para mensurar se seria plausível abrir nos outros dias, mas não teve como: a venda não pagou o funcionamento do ar-condicionado”, diz Bruno Vitzel, um dos proprietários do estabelecimento.

Na região, além do comércio da Rua dos Pinheiros, os bloqueios viários afetaram as lojas das vias adjacentes. Na Rua Cunha Gago, por exemplo, que permaneceu com a maioria dos estabelecimentos fechada durante o feriado, as reclamações são semelhantes. “Como vamos pagar os funcionários e os impostos? Até agora deixamos de vender nos finais de semanas de fevereiro”, desabafa o presidente da Preçolândia, Arab Chafic.

“Até agora deixamos de vender nos finais de semanas de fevereiro” – Arab Chafic Medidas

Procurada pela Gazeta de Pinheiros - Grupo 1 de Jornais para comentar as interdições na região durante a festa, o vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Michel Zakka, afirma que em breve os empresários locais serão convocados a estudar medidas para mitigar os transtornos gerados pelo Carnaval em 2019. “Os comerciantes não são contra a festa, mas é preciso avaliar se a organização está sendo feita da melhor maneira”, afirma ele, que também foi ex-superintendente da Distrital Pinheiros da ACSP.

“Os comerciantes não são contra a festa, mas é preciso avaliar a organização” – Michel ZakkaNas próximas semanas, empresários da Rua dos Pinheiros e de outras vias pretendem se encontrar para decidir quais reivindicações serão apresentadas à Prefeitura de São Paulo. A alternância de vias destinadas a receber os desfiles e a redução dos dias de bloqueio são algumas das alternativas avaliadas pela categoria.

Somente no Pré-Carnaval (3 e 4 de fevereiro), Carnaval (10 a 13) e Pós-Carnaval (17 e 18) deste ano, algumas ruas ficarão oito dias sem abrir as portas ou com prejuízos em virtude do baixo movimento. Em toda a região, estão previstos mais 14 blocos neste final de semana.

 

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