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26/05/2017

Ônibus invadem rua residencial e geram reclamação de moradores

Publicado em 24/03/2017

Segundo moradores, veículos pesados danificam as casas e causam barulho até de madrugada

Ônibus biarticulado tenta passar pela esquina da Rua Pascoal Bianco     / Facebook – Baixo Pinheiros TremePor Diego Gouvêa

Os moradores da Rua Pascoal Bianco se assustam cada vez que um ônibus passa por ali. Isso porque, segundo eles, as casas são antigas e não têm condições de suportar o impacto causado pelo tráfego dos coletivos desviados para a via nos últimos anos. Além de danos na estrutura dos imóveis, eles se queixam do barulho gerado por mais de 15 linhas que transitam dia e noite pela estreita via de 6 metros de largura e 200 metros de extensão.

“O asfalto desta rua era um tapete, mas agora, com a passagem dos ônibus, ele está danificado, pois a rua não sustenta o tráfego. Antes os ônibus passavam pela Rua Eugênio de Medeiros; hoje fazem um caminho absurdo por um local estreito”, afirma a moradora Sueli Brandina. A maioria dos veículos de transporte – entre vans, micro-ônibus, ônibus e biarticulados – tem como destino a região do Butantã.

Moradores da Rua Pascoal Bianco reclamam de barulho durante o dia e à noite e de danificações nas casas   / Grupo 1 de Jornais                                       Segundo os moradores, os problemas com a estrutura das casas na Pascoal Bianco são antigos. Isso porque as edificações foram erguidas sobre um solo de pouca estabilidade, já que a rua está próxima do Rio Pinheiros. “Essas casas foram construídas em cima de charco, o que torna os terrenos muito frágeis”, afirma Maria Amélia Godoy, que mora no local há 30 anos e foi obrigada a reformar a casa para ajustá-la aos desníveis do terreno. “A casa inteira chega a tremer à noite”, completa.

Quem também reclama é Hilda, que mora há 40 anos no local e testemunhou as mudanças provocadas pelos ônibus na qualidade de vida da vizinhança. “Vim para cá com os meus filhos pequenos, que andavam de bicicleta e jogavam futebol na rua, mas agora os ônibus acabaram com o sossego”, afirma.

O receio dos moradores de as casas virem ao chão pode ser justificável. Há dez anos, eles precisaram conviver com os danos supostamente causados pelas obras da Estação Pinheiros do metrô. Rachaduras, trincas nas dobradiças das portas e desníveis no piso surgiram com a abertura dos túneis, realizada por meio de explosões. Como resultado desse turbulento período, brigas judiciais com a empresa responsável pela execução do projeto se estendem até hoje, sem perspectiva de desfecho.

Depois do metrô, novos problemas foram causados pela construção de prédios próximo às casas, alguns dos quais abrigam empresas multinacionais e apartamentos residenciais de alto padrão, perfil de moradia que contrasta com os sobrados simples e antigos da Pascoal Bianco. No final do ano passado, uma das casas, na esquina com a Rua Amaro Cavalheiro, cedeu supostamente em virtude dos impactos causados pelas obras dos megaempreendimentos vizinhos.

No que se refere ao trânsito, não são apenas os moradores que sofrem com os transtornos. Motoristas de veículos comuns que circulam pela via realizam manobras nas calçadas para desviar dos ônibus, principalmente os modelos biarticulados, que têm mais dificuldade para realizar curvas ao entrar e sair da rua.    

Carros e motos invadem calçadas para ultrapassar ônibus parado na via     / Facebook – Baixo Pinheiros TremeProvidências

Para tentar reverter a situação, um grupo de moradores se mobilizou para dialogar com a Prefeitura de São Paulo. Tudo começou em um final de semana de fevereiro, quando eles promoveram intervenções artísticas nas calçadas com o propósito de discutir o problema antes de apresentá-lo às autoridades públicas.

Depois disso, os moradores solicitaram medidas aos órgãos municipais. No início de março foi realizada a primeira reunião com a Prefeitura Regional de Pinheiros, que se comprometeu a intermediar um encontro com representantes da SPTrans, marcado para a próxima terça-feira (28).

Procurada pela Gazeta de Pinheiros - Grupo 1 de Jornais, a SPTrans, empresa municipal responsável pela organização dos ônibus, antecipou que “no momento não existem estudos visando alterações nas linhas que circulam pela Rua Pascoal Bianco”.

A empresa da Prefeitura também afirmou que “desde setembro de 2016, as linhas de ônibus que normalmente passam pela Rua Pascoal Bianco tiveram seu itinerário alterado em razão de obras na região e, com a conclusão dos serviços, o tráfego de coletivos voltou ser liberado na via em 21 de janeiro de 2017”. Pela rua trafegam tanto linhas municipais quanto estaduais, da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), que seguem os itinerários estabelecidos pela SPTrans.

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