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23/08/2017

Pinheiros vai ganhar centro cultural japonês

Publicado em 08/06/2017

Perspectiva da fachada do Centro Cultural, com inauguração prevista para julho / ReproduçãoPor Diego Gouvêa

A Aliança Cultural Brasil-Japão vai celebrar 60 anos com a inauguração de um centro cultural em Pinheiros, em julho. No último dia 2, o presidente da entidade, Yokio Oshiro, comentou alguns detalhes do projeto em visita à Gazeta de Pinheiros - Grupo 1 de Jornais.

Instalado em um espaço de 751 metros quadrados, o Centro Cultural Aliança Brasil-Japão vai oferecer atividades culturais como aulas de japonês, cursos de gastronomia, palestras, eventos culturais e oficinas de arte moderna e tradicional, como mangá, origami e shodo.

Os projetos serão coordenados por nomes reconhecidos em diferentes áreas da cultura japonesa. Na gastronomia, destaque para o chef Shin Koike, nomeado pelo governo do Japão como um dos embaixadores da culinária do país pelo mundo.

Segundo Yokio Oshiro, as aulas de culinária terão o objetivo de divulgar a gastronomia japonesa e, por isso, serão destinadas a interessados que não atuam como profissionais. “Essa escola não será para formar chefs; será voltada para amadores”, explica. O espaço da Aliança Brasil-Japão também terá à frente de suas atividades o curador cultural Jo Takahashi.

Ana Lúcia e Oshiro: troca de cartões é hábito corporativo no Japão  / Grupo 1 de JornaisO espaço onde as atividades serão realizadas foi adquirido pela Aliança Brasil-Japão em 2014, e a implantação de sua estrutura foi viabilizada por diferentes fontes de recursos, como a contribuição direta de associados e fundações e pelo Catarse, site de financiamento coletivo.

Centro Cultural terá espaço exclusivo para aulas de culinária japonesa / ReproduçãoO projeto também contaria com o apoio da Lei Rouanet, recurso de incentivo à cultura do Governo Federal. Porém, em virtude de dificuldades na obtenção do incentivo, a Aliança teve que recorrer a fontes alternativas de financiamento.

Diante do impasse, o governo do Japão aceitou colaborar com a doação de equipamentos. “A parte mais onerosa, que são os recursos audiovisuais e as mídias de sala de aula, foi doada. Agora nós temos que mostrar resultados”, afirma Oshiro. Segundo estimativas iniciais da Aliança, a conclusão do projeto deverá custar R$ 2,6 milhões.

Origem

A Aliança foi fundada em 1956 pelo poeta Guilherme de Almeida, presidente da Comissão do IV Centenário da Cidade de São Paulo, que tinha uma subcomissão para cada comunidade estrangeira. Finalizadas as comemorações, Almeida considerou um desperdício dissolver as entidades representativas das nacionalidades que compõem a identidade paulistana.

A partir do interesse em difundir a cultura japonesa, foi fundada a Aliança Cultural Brasil-Japão, sediada hoje no bairro da Liberdade, centro, onde cerca de 3 mil alunos se formam por ano em áreas como o ensino do idioma e das artes. Do corpo estudantil, aproximadamente 1,6 mil não é formado por descendentes de japoneses.

Quanto ao interesse de promover trabalhos em outros locais da cidade, Oshiro afirma que a entidade foi atraída pelo perfil dos bairros de Pinheiros e Vila Madalena. “Decidimos investir nessa região porque ela se firmou como um novo polo cultural, com muitas casas de arte e centros como o Instituto Tomie Ohtake e a Cultura Inglesa, que estão muito próximos à nossa unidade”, afirma.

A inauguração do Centro Cultural Aliança Brasil-Japão, na Rua Deputado Lacerda Franco, 328, está agendada para o dia 29 de julho. Na apresentação do projeto, Yokio Oshiro foi recebido pela diretora da Gazeta de Pinheiros, Ana Lucia Donnini.

Os interessados sobre o projeto podem entrar em contato com a Aliança Brasil-Japão (Rua Vergueiro, 727) pelo telefone 3209-6630 ou pelo e-mail pinheiros@aliancacultural.org.br

Pinheiros, bairro japonês

Apesar de ser um dos bairros mais antigos da capital, com origens no século 16, Pinheiros tem uma ligação histórica com a imigração japonesa. No início do século 20, agricultores nikkeis – descendentes de japoneses – levavam produtos como batata e feijão ao antigo Mercado dos Caipiras, atual Mercado Municipal de Pinheiros.

Com dificuldade para manter os produtos estocados em condições adequadas, os agricultores, a maioria membros da Cooperativa Agrícola Cotia (Cotia Sangyo Kumiai) e moradores dessa cidade, ergueram um depósito na esquina da Rua Teodoro Sampaio com a Avenida Brigadeiro Faria Lima.

Em franco movimento de vendas, a sede da Cooperativa incentivou a instalação de lojas e postos de serviços nikkeis. Alguns deles ficaram conhecidos entre os moradores do bairro, como a Casa Mizumoto, a Casa Ono e o Comércio Ikesaki. Em 1971, a rede de lojas e supermercados Yohan inaugurou sua primeira unidade fora do Japão, na esquina das ruas Teodoro Sampaio e Cunha Gago.

Apesar do fim da Cooperativa nos anos 90 – quando o antigo depósito foi demolido e o terreno vendido – e do fechamento dos inúmeros comércios nikkeis, Pinheiros ainda carrega um pouco da cultura japonesa. Um dos locais que preservam a identidade nipônica é o Instituto Tomie Ohtake, consolidado nos últimos anos como um dos mais relevantes centros de exposição da cidade. Além do espaço cultural, o bairro ganha a atenção de paulistanos de outras regiões por concentrar diversos restaurantes japoneses.

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