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25/05/2018

Piscinão pode evitar enchentes, mas ainda gera polêmica em Pinheiros

Publicado em 26/01/2018

Rua Fradique Coutinho, próximo à estação de metrô / Grupo 1 de Jornais Por Diego Gouvêa

Pinheiros foi a região mais afetada pela chuva que atingiu a capital no último domingo (21), segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo. Ruas alagadas, carros arrastados pela água, árvores caídas e falta de energia elétrica foram os estragos com que os moradores se depararam após a tempestade. Esse cenário de destruição faz com que o debate sobre um piscinão na Vila Madalena volte a ser discutido. O projeto já passou por diversas administrações municipais, mas nunca saiu do papel.

Com custo estimado em R$ 25 milhões, o reservatório começou a ser desenvolvido em 2002, na gestão Marta Suplicy, e faz parte do projeto Bacia do Córrego Verde, idealizado para reduzir enchentes em ruas como Girassol, Medeiros de Albuquerque, Mateus Grou e Joaquim Antunes. A estrutura teria capacidade de 24 mil metros cúbicos de água e seria construída sob a Praça General Oliveira Alves, localizada em um trecho da Rua Abegoaria.

Além do piscinão, durante a gestão Gilberto Kassab cogitou-se incorporar ao projeto do reservatório um parque linear, que previa a abertura de um dos braços do Córrego Verde entre a Avenida Heitor Penteado e a Rua Cardeal Arcoverde. Segundo os idealizadores da proposta, o objetivo seria reintegrar o antigo ribeirão ao bairro da Vila Madalena e aproveitar os espaços urbanos subutilizados como a segunda pista da Rua Medeiros de Albuquerque.

No entanto, o piscinão, necessário para a implantação do parque, foi paralisado na Justiça em 2010 em virtude de uma ação civil pública movida por moradores do bairro do Jardim das Bandeiras. Segundo eles, o reservatório poderia degradar o entorno, como teria acontecido em outras regiões da cidade, onde as estruturas acumulam sujeira, atraem ratos e exalam mau cheiro.

“Os impactos de uma obra como esta são significativos. Ela exige manutenção constante, por atrair detritos nocivos à saúde da população, provenientes das águas que correm pelas ruas”, afirma Lucila Lacreta, diretora-executiva do Movimento Defenda São Paulo e moradora do Jardim das Bandeiras.

Lacreta alega ainda haver alternativas no combate às enchentes na região. “As antigas galerias que estão fechadas na Vila Madalena poderiam conter a água das chuvas, se fossem reformadas. Além de mais baratas, seriam menos impactantes”, afirma. Ela cita como exemplo o espaço sob as ruas Luís Murat e Girassol. “A Prefeitura não considera esta opção, que gera menos transtornos”, argumenta.

Mesmo com a execução impedida pela Justiça, a gestão Fernando Haddad insistiu em avançar com o projeto. Em dezembro de 2015, técnicos da antiga Siurb (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras), atual Secretaria Municipal de Serviços e Obras, se reuniram com representantes do Ministério Público Estadual (MPE) para defender a proposta do piscinão, que na época havia obtido financiamento de R$ 40 milhões do Governo Federal por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). 

Segundo a antiga administração, as obras durariam aproximadamente 12 meses e incluiriam um novo sistema de galerias. Quanto às medidas para amenizar possíveis impactos na praça, foi cogitada a implantação do reservatório apenas sob a Rua Abegoaria.        

Vídeo mostra momento em que carros são arrastados no Beco do Batman / Reprodução – FacebookEstragos


Na Vila Madalena, no último domingo, as águas da chuva arrastaram carros pelas ruas Medeiros de Albuquerque, Gonçalo Afonso (Beco do Batman), Girassol e Harmonia. Um vídeo gravado por moradores que circulou pelas redes sociais mostra uma mulher sendo levada pela enchente junto com veículos. Nas ruas Wisard e Luís Murat foram registradas quedas de árvores.  

Já no bairro de Pinheiros, as chuvas inundaram mais uma vez o trecho da Rua Joaquim Antunes entre as ruas Cardeal Arcoverde e Artur de Azevedo. Duas pessoas ficaram ilhadas em um carro e tiveram de ser retiradas com o auxílio de um bote do Corpo de Bombeiros.

Na Estação Fradique Coutinho do Metrô, passageiros ficaram isolados em meio a um alagamento no cruzamento da rua homônima com a Rua dos Pinheiros. Alguns quarteirões do bairro permaneceram sem luz até a manhã de segunda-feira (22).

Nos Jardins, além de alguns pontos de alagamento, os prejuízos ficaram por conta dos semáforos apagados nas principais vias, assim como no Itaim Bibi e na Vila Olímpia, no cruzamento das avenidas Juscelino Kubitschek e Chedid Jafet. Já no Alto de Pinheiros, moradores relataram grande quantidade de árvores caídas em virtude dos fortes ventos.

Segundo o CGE, a região de Pinheiros concentrou 68 milímetros de chuva em cerca de duas horas no último domingo. A segunda região mais afetada pela tempestade foi a da Sé, no centro, com 37 milímetros.

 

IPTU

Enquanto a administração municipal não encontra soluções efetivas para as enchentes na região, moradores se organizam para solicitar a isenção do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Nas ruas Belmiro Braga e Cardeal Arcoverde, alguns imóveis não estão mais incluídos no tributo.

Para obter a isenção relativa a enchentes, o morador deve contatar a prefeitura regional mais próxima para uma avaliação técnica do imóvel, a fim de registrar se há danos físicos nas instalações elétricas e hidráulicas.

Após a vistoria, o laudo é encaminhado para análise da Secretaria Municipal de Finanças e Desenvolvimento Econômico. Caso aprovado, o endereço será incluído em uma lista com outros locais, divulgada regularmente nas regionais. Para os estabelecimentos alugados, o pedido poderá ser feito pelo proprietário ou inquilino, desde que este tenha a procuração específica que comprove sua condição. 

 

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