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17/12/2017

Rebouças: localizada em área nobre, via tem sinais de degradação

Publicado em 19/10/2017

Crise econômica agravou ociosidade de imóveis na Rebouças, um dos metros quadrados mais caros da capital / Até os anos 60 a Avenida Rebouças era conhecida pelos paulistanos por seus casarões que abrigavam a alta sociedade. Já nas décadas seguintes, o trânsito ganhou grandes proporções na capital e obrigou aos antigos moradores a se retirar. Assim, a via que liga a zona oeste ao centro mudou o seu perfil e se transformou em um corredor comercial com estabelecimentos que variavam desde concessionárias de automóveis até restaurantes. Nos últimos dez anos, no entanto, além de não ter mais moradores a Rebouças perdeu o comércio e virou uma galeria de imóveis abandonados.

A maioria dos estabelecimentos vagos e com placas de “Aluga-se” ou “Vende-se” está situada no trecho entre as avenidas Brasil e Brigadeiro Faria Lima, um dos trechos mais valorizados da cidade. Com lixo e entulho acumulados nas vagas de estacionamento, fachadas pichadas e vitrines de vidro quebradas, poucos são os comércios que permanecem funcionando por ali. Os que sobrevivem neste cenário de degradação são  lojas de trajes para festas sociais.  

Além do aumento da frota de veículos, outras intervenções viárias também fizeram a Rebouças mudar de perfil, como a construção do Túnel Fernando Luiz Vieira de Mello e a instalação de um corredor de ônibus nos anos 2000. Porém a situação se agravou de fato nos últimos anos com a crise econômica, pois sem clientes os proprietários dos estabelecimentos não conseguiram pagar os altos aluguéis, com uma média de R$ 10 mil o metro quadrado. O IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), cerca de R$ 50 mil por ano, também pesava no bolso dos inquilinos.

Hoje, com a vacância de imóveis os proprietários chegam a desembolsar mais de R$ 2 mil por mês apenas para evitar a invasão de sem-teto ou ladrões em busca de fiação elétrica e itens como pias e vasos sanitários.

Segundo levantamento do Grupo de Estudos Urbanos (GEU), apenas 14% dos estabelecimentos na Rebouças estão ocupados por atividades comerciais — ao todo, 19 edifícios e 13 casas. O estudo revela ainda que 22% dos imóveis da avenida estão desocupados. Para não ficar no prejuízo, há quem ofereça carência estendida em até seis meses para prováveis inquilinos.

Mudanças

Porém, apesar do cenário de decadência, a Rebouças pode recuperar um pouco do glamour de outros tempos nos próximos anos. Além da possível melhora na economia, mesmo que tímida e gradual, o novo zoneamento (Lei de Uso e Ocupação do Solo) aprovado em 2016 deve proporcionar mudanças significativas.

No lado par, onde está o bairro de Pinheiros, estão previstos novos edifícios, que substituirão casarões desocupados. Pela nova legislação, o limite do coeficiente construtivo na Rebouças é de até quatro vezes a dimensão do terreno. Antes, até 2015, o limite do gabarito era de 2,5 a área construída. No térreo das edificações estão previstos estabelecimentos comerciais, a fim de incentivar a circulação de pessoas nas calçadas.

O novo zoneamento segue as diretrizes do Plano Diretor Estratégico (PDE), que visa aproximar a moradia do emprego por meio do adensamento ao longo dos eixos de transporte. Assim, o funcionamento de um corredor de ônibus na Rebouças e da Linha 4 - Amarela do Metrô de maneira paralela colabora para o adensamento.

Hoje, ao menos quatro empreendimentos residenciais estão previstos ao longo de toda a extensão da Rebouças, desde a Rua da Consolação até a Avenida Eusébio Matoso, inclusive nas vias transversais. Alguns deles serão entregues a partir de 2018. Já do lado ímpar, onde estão os Jardins, o novo zoneamento permite prédios de até três andares para atividades comerciais.

Apesar de incentivar a ocupação da avenida, uma provável consequência das novas torres será o aumento do trânsito, apontam os críticos ao adensamento. Nos horários de rush, os veículos circulam numa velocidade média de 8,5 km/h na Rebouças, um dos piores índices de lentidão da cidade. Pela nova lei, os apartamentos localizados ao lado dos eixos de transporte poderão ter uma vaga na garagem a cada 60 m2. Assim, no caso de uma unidade de 180 m2, por exemplo, serão permitidas até três áreas para estacionamento.

Av. Brasil

Outro endereço que também passa por situação de decadência é a Avenida Brasil, onde os imóveis com altos valores de aluguel ou venda dificultam a possibilidade de ocupação. Uma casa de 2,5 mil metros quadrados com piscina, por exemplo, é vendida em média por R$ 35 milhões. Além disso, algumas residências chegam a ter o aluguel calculado em R$ 150 mil mensais.

Para mudar este cenário, o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) estuda liberar pequenos condomínio de casas nos Jardins Paulistano e Europa para compensar o esvaziamento populacional das últimas décadas. A proposta do órgão estadual não é unanimidade entre os conselheiros, mas poderia reduzir o número de mansões abandonadas e degradadas, hoje tomadas pelo mato e entregues aos cupins, além de sujeitas à invasão.

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