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24/05/2018

Reforma no Sacolão da João Moura gera reclamações

Publicado em 23/03/2018

Sacolão da Rua João Moura funciona há 25 anos no mesmo local, Prefeitura quer implantar projeto de alimentos orgânicos / Grupo 1 de JornaisPor Diego Gouvêa

Há 25 anos instalados sob o viaduto da Avenida Paulo VI, os permissionários do Sacolão da Rua João Moura deixarão o local em abril, quando a Prefeitura de São Paulo pretende realizar uma reforma para a instalação de boxes voltados apenas à venda de produtos orgânicos. A mudança, no entanto, pegou os atuais comerciantes de surpresa e não agradou a todos os clientes.

Segundo a Secretaria Municipal de Trabalho e Empreendedorismo, o sacolão será “reformulado e modernizado, uma vez que há uma subutilização do local, que tem apenas nove dos 15 boxes disponíveis em funcionamento e abre somente de quarta a domingo”. A reforma deve durar cerca de três meses.

Boxes vazios no sacolão da Rua João Moura / G1JEm resposta à Gazeta de Pinheiros - Grupo 1 de Jornais sobre as mudanças no entreposto, a secretária da pasta municipal, a ex-vereadora Aline Cardoso, afirma por meio de sua assessoria de imprensa que “o espaço vai passar por um processo de transformação e voltar a funcionar muito em breve em outro formato, com todos os boxes ocupados e operação de segunda a segunda, com produtos de agricultura familiar e para quem tem necessidades especiais na alimentação, como alérgicos, incluindo celíacos”.

De acordo com a Secretaria, a demanda de produtos orgânicos e vegetarianos na capital cresce em média 30% ao ano. Ainda segundo a pasta do prefeito João Doria, haverá um chamamento público para definir o novo formato do sacolão, que poderá contar com parcerias no setor privado. Entre as novidades, o equipamento deverá ganhar uma cozinha-escola para capacitação na área de gastronomia, junto a um espaço para eventos sobre segurança alimentar.

A Secretaria afirma também que a licitação para os interessados em ter um boxe se encontra em andamento, e que os atuais permissionários terão todas as informações sobre o projeto ainda no mês de março, com a possibilidade de transferência para outros sacolões da cidade. “Nossa ideia é não deixar nenhum permissionário desamparado. Por respeito ao trabalho desses cidadãos, que vêm servindo à população, estamos tentando encontrar saídas para serem realocados”, afirma Aline Cardoso.

Desconfiança

Apesar do projeto anunciado pela Prefeitura, os comerciantes estão receosos quanto às futuras contrapartidas. “Essa notícia nos pegou de surpresa, não houve nenhuma comunicação prévia, ficamos sabendo pela imprensa”, afirma a responsável por um boxe de carnes do sacolão, Fátima Murra. “Vão tirar nós, que somos pequenos, para colocar algum grande empresário”, diz a comerciante que está há cinco anos na João Moura. “Estão tirando pessoas que precisam do sacolão para sobreviver”, complementa.

Segundo os comerciantes, o primeiro contato oficial da Prefeitura para comunicar sobre o fechamento foi feito com o hortifrúti local, no fim de 2017. “Pediram para que eu não informasse aos outros boxes. Mas quando percebemos que não haveria jeito, optamos por ‘colocar a boca no mundo’ e fazer um abaixo-assinado. Todos têm famílias que dependem do espaço”, conta Fábio Salvador, responsável pelo hortifrúti.

Para Fátima Murra, notícia do fechamento pegou todos de surpresa / G1JO comerciante também afirma que lhe ofereceram um boxe no Mercado Municipal de Santo Amaro. “O espaço é uma tenda de 50 metros quadrados que não atende a minha necessidade”, diz ele. A judicialização do caso também não é descartada pelos permissionários.

Para a maioria dos comerciantes, a alternativa ideal seria mantê-los no local junto ao novo projeto voltado a produtos orgânicos, já que hoje há seis boxes desocupados. “Poderiam melhorar o espaço, mas não tirar todo mundo para colocar meia dúzia no lugar”, afirma o dono de um boxe de laticínios, Luiz Antônio Wawruk.

“Estou aqui há 25 anos e já passei por várias situações difíceis, pois antigamente os moradores do bairro tinham medo de passar por baixo do viaduto para chegar até o Sacolão”, diz Wawruk. “Hoje a vizinhança frequenta o espaço, mas quando as vendas começaram a melhorar querem nos tirar”, complementa ele, ao lado do cliente Lineo Carelli.

“Moro no Jardim Paulista e venho até aqui para comprar, nada se compara em preço e qualidade” –  Ana Flora“Gosto de tudo daqui, das carnes vermelhas, peixes, frutas e verduras. A qualidade é boa e chego tranquilo para as compras”, afirma Carelli. “Mas os produtos orgânicos são caros e nem todos terão como fazer compras por aqui”, diz ele, que mora em Pinheiros e frequenta o sacolão.

Quem também lamentou o fechamento do espaço é a instrumentadora cirúrgica Ana Flora Malta. “Eu moro no Jardim Paulista e venho até aqui comprar os produtos, porque nada se compara em preço e qualidade”, afirma ela, cliente do local há cerca de 20 anos. À proposta de um sacolão com outro perfil, Ana prefere o atual. “O produto orgânico é caro, então não é acessível para mim”. 

Outra cliente que também sentirá falta do sacolão é a aposentada Marina Darezzo, 90 anos. “Fiquei muito triste quando soube que iria fechar”, disse ela, que tem amizade com os comerciantes e se despediu de cada um deles quando passou pelos boxes.

Fábio Salvador recebeu proposta de transferência para o Mercado de Santo Amaro, mas espaço é insuficiente para seus produtos / G1J

Marina Darezzo, 90 anos, fez amizades no Sacolão da João Moura / G1J

Luiz Antônio e Lineu: convivência de longa data entre comerciantes e clientes

 

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