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20/11/2017

Retirada de parquinho no Largo da Batata opõe Prefeitura e moradores

Publicado em 25/08/2017

Segundo os moradores, a ação foi feita sem a devida transparência, pois os brinquedos foram instalados há dois anos com o apoio da comunidade

Segundo Prefeitura, brinquedos estariam deteriorados; Largo da Batata ganhará novo parquinho / G1JDiego Gouvêa

Após a polêmica remoção de um parquinho no Largo da Batata, na semana passada, a Prefeitura de São Paulo promete criar um novo espaço para as crianças, trabalho que ainda não tem prazo para ser finalizado. O desmanche do espaço infantil, próximo ao Mercado Municipal de Pinheiros, gerou revolta em um grupo de moradores da região, pois teria sido feito sem aviso.

Desenvolvido pelo estúdio Erê Lab, o parquinho foi doado à Prefeitura e instalado em 2015 com o objetivo de estimular a ocupação do espaço público, após discussão com a comunidade. A intervenção recebeu o nome de “Projeto Ilha” e foi a primeira de uma série de trabalhos semelhantes realizados no centro da capital paulista e na Vila Olímpica do Rio de Janeiro, que renderam prêmio internacional aos idealizadores.

“O Largo da Batata é um espaço simbólico da cidade. Durante esses anos tentamos fazer alguma manutenção, mas é um local muito complicado por causa do Carnaval e das manifestações, por exemplo”, afirma o diretor criativo do Erê Lab, Roni Hirsch. “Colocamos placas para avisar o público que ali é um espaço para crianças, mas os brinquedos foram se degradando muito por causa do tempo, apesar de não haver estrago que proporcionasse risco às crianças”, diz ele, que disponibiliza o estúdio para a criação de um novo projeto com o Município.

Estado de conservação dos brinquedos teria motivado a retirada / G1JO estado de conservação dos equipamentos do espaço infantil foi uma das justificativas para a remoção. “Depois de algum tempo esse mobiliário ficou completamente deteriorado, totalmente sujo e nada apropriado para crianças”, declarou o prefeito regional de Pinheiros, Paulo Mathias, em sua página nas redes sociais. Segundo ele, o novo parquinho que deve ser instalado pela administração municipal faz parte de um projeto mais amplo de renovação urbanística do Largo da Batata, que inclui novas árvores, Wi-Fi e carregadores de celular. 

Nos últimos anos, o Largo da Batata é alvo de ações realizadas por coletivos urbanos que visam a reintegração do espaço público – que desde 2007 esteve em obras – à região. “Não fomos chamados para nenhuma conversa, o que nos deixa preocupados quanto a possíveis arbitrariedades”, afirma a médica Maria Eudoxia, que levava os filhos para brincar no local.

Diálogo

Para os colaboradores das iniciativas comunitárias no Largo da Batata, outras mudanças promovidas pela administração municipal desde o início do ano também foram feitas sem debate com os moradores. Entre essas intervenções está o plantio de 70 árvores, viabilizado por meio de parceria com o Shopping Iguatemi, ao custo de R$ 224 mil e com seis meses de duração. A nova vegetação foi colocada no antigo espaço ocupado por canteiros ecológicos que tinham a manutenção sob a responsabilidade dos moradores.  

“Um dos nossos canteiros apareceu arrasado, mesmo com um termo de cooperação firmado com a Prefeitura”, afirma Maria Eudoxia, referindo-se a um espaço onde a administração municipal plantou uma árvore junto a blocos de grama. “Somos a favor de mais árvores, mas da maneira que fizeram elas tendem a morrer, pois o modelo de jardinagem não é adequado. Nós estamos no local desde 2014, sabemos como é o solo”, diz. Os responsáveis pelos canteiros afirmam que o solo foi enriquecido com o plantio de árvores nativas, arbustos, flores, tubérculos, tatus-bolas e minhocas.

Brinquedos instalados em 2015 fazem parte de projeto concebido junto à comunidade                                                      / Reprodução – Erô Lab  A designer Mariana de Toledo, que também cuidava dos canteiros, afirma que foram tentados diversos contatos com a Regional por e-mails e um abaixo-assinado com 1 mil assinaturas impressas e protocoladas. “Há mais de duas semanas tentamos contatar a administração, mas não conseguimos resposta”, afirma. Para Mariana, essa medida pode colocar em risco um modelo de “gestão participativa”. “Isso pode ser um grande prejuízo para o cidadão, pois abrimos mão de algumas coisas no nosso dia a dia para fazer isso por carinho”, diz.

 À imprensa, o prefeito regional Paulo Mathias negou a suposta falta de diálogo. “Houve conversas prévias com moradores e comerciantes do entorno, mas talvez eles não tenham aceitado o que a Prefeitura gostaria de fazer”.

Largo da Batata

A reconversão urbana do Largo da Batata foi proposta em 2001 por meio de um concurso público, quando foi escolhido o projeto do arquiteto Tito Lívio. Entretanto, as obras só começaram em 2007 com desapropriações, demolição de imóveis, reforma das calçadas e enterramento da fiação elétrica. Estas intervenções proporcionaram também a abertura de uma esplanada entre a Igreja Nossa Senhora de Monte Serrat e a Avenida Brigadeiro Faria Lima. No entanto, o projeto em sua fase de conclusão deixou o espaço ocioso e com poucas árvores, sendo utilizado apenas para a passagem de pedestres. Esse quadro deu origem a uma série de debates entre moradores e urbanistas sobre a vocação do Largo da Batata.

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