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23/09/2017

Torcida do bem

Publicado em 06/03/2015

por Silvia Vinhas

sxc.huO ano de 2014 não terminou com sabor amargo para o futebol brasileiro apenas por conta da humilhação sofrida em campo pela seleção diante da Alemanha na Copa do Mundo. O Brasil fechou o período com o título de campeão mundial da violência no futebol, com 18 mortes comprovadamente ligadas à violência entre grupos de torcedores rivais. Um número que pelo menos foi menor que o de 2013, quando 30 perderam suas vidas em incidentes do gênero.

Especialistas pregam uma política nacional de segurança pública como a principal medida para enfrentar o problema, mas iniciativas menos usuais com foco educacional estão marcando os esforços dos clubes. E mostrando formas mais criativas de divulgar uma mensagem pacífica.
Quem não se lembra do pelotão diferente envolvido na segurança para o clássico entre Sport Recife e Náutico? Um grupo de 30 mães de torcedores do Sport, algumas delas de indivíduos conhecidos pelo mau comportamento nos estádios, trabalhou na partida. E o resultado veio dentro e fora do campo. Jogo sem registro de violência e mídia espontânea clamando pela torcida do bem.

Faltava o impossível: unir duas torcidas rivais em um mesmo espaço. Grêmio e Internacional conseguiram!

Com intuito de selar a paz entre as duas torcidas, a direção colorada teve a ideia de fazer o GRENAL de todos. GRENAL da paz. O clube resolveu criar um setor misto no estádio Beira-Rio, onde 1000 colorados poderiam convidar 1000 gremistas para assistir o jogo lado a lado. O colorado comprava e preenchia  um cadastro com seus dados e dados do gremista, se responsabilizando pelo seu convidado. A repercussão foi tanta que em pouco tempo os 2000 lugares no setor misto já estavam com seus assentos ocupados.

E foi um sucesso. Casais de namorados, famílias inteiras, filhos que nunca viram os pais  juntos  num mesmo clássico, cada um torcendo por seu time. Lembrou o tempo da Copa do Mundo, a alegria das torcidas, o colorido misturado. Um sonho possível que assistimos durante o mundial.

Fora da Beira-rio, torcidas organizadas se enfrentaram com a rotineira violência, um ódio enraizado e repassado de geração para geração. Serão estes realmente torcedores?

Fica aí um exemplo a ser seguido pelos clubes paulistas. Esse sim, um desafio maior do que a própria violência.

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