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24/04/2017

Bellini

Publicado em 03/09/2015

por Silvia Vinhas

 Nesta semana conversei com Giselda Bellini, viúva do nosso primeiro capitão campeão do mundo.

Na biografia, que tem prefácio de Pelé, o relato comovente de uma vida inteira.
Duas Copas depois do fantasma de 1950, quando a seleção brasileira perdeu a final para o Uruguai em pleno Maracanã, o Brasil foi campeão em 58, na Suécia.

 Craques inesquecíveis como Djalma Santos, Garrincha, Nilton Santos, Zito e Pelé viram o capitão Bellini imortalizar o ato de levantar a taça, ao erguer acima da cabeça a Jules Rimet.

Desde então, é difícil um campeão comemorar um título sem repetir o ato.

Na Copa seguinte, no Chile, Bellini teve a humildade de ceder a faixa de capitão a Mauro Ramos, e comemorou mais uma vez a alegria de ser campeão do mundo, mesmo sem o privilégio de levantar a taça. Viveu momentos de glória, sendo inclusive um dos primeiros a protagonizar campanhas publicitárias, abrindo caminho para o que fazem hoje vários jogadores famosos.

Zagueiro dos melhores, se consagrou no Vasco da Gama. Mas os voos altos para cabecear a bola lhe custaram a saúde. Com Bellini perdendo a memória e a fala, o neurologista responsável por seu caso levantou a possibilidade de que a doença não fosse Alzheimer, e sim a "Síndrome do Pugilista". Com permissão da família, pesquisadores estudam o cérebro de Bellini para determinar que doença o matou. O estudo se estende ao distúrbio neurológico associado a esportes mais violentos, como o futebol americano.

Incrível como me identifiquei com essa história. Assim como Giselda, minha mãe casou-se aos 16 anos com um homem bem mais velho, e eles viveram juntos por mais de 50 anos. Aqueles amores que hoje nos parecem inexplicáveis, por resistirem ao tempo. Meu pai foi um homem brilhante e sofreu até os últimos dias com a doença que rouba a alma e o brilho dos olhos: o mal de Alzheimer.

Nas coincidências da vida, a certeza de que tudo é efêmero demais. Uma história cheia de intensidade contada como se uma vida inteira se resumisse num piscar de olhos. E é essa a sensação de quem a vive.

A emoção do momento de glória imortalizada no brilho da taça, no grito da torcida.

A emoção de ser filha eternizada no amor que nunca morre, que nunca se apaga.

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