O Grupo 1 Edição Digital Grupo 1 Mobile Fale Conosco
Receba nossas notícias

19/11/2017

Futebol efêmero

Publicado em 23/06/2016

Ainda que tenhamos um sonho, trabalhemos, lutemos por ele, soframos, choremos e, enfim, o conquistemos, o desafio já é outro, e o sonho também.

O escritor moçambicano Mia Couto escreveu: “vivemos numa Sociedade do Efêmero, submetida ao mercado, na qual estamos submergidos num tempo que nunca é nosso. O passado nos foi tirado, o futuro não existe, então que venha o hoje”.

Ainda que tenhamos um sonho, trabalhemos, lutemos por ele, soframos, choremos e, enfim, o conquistemos, o desafio já é outro, e o sonho também.

Somos seres inquietos por natureza e, mesmo quando acomodados, dentro de nós a alma queima.

Tite tinha um sonho... ser o treinador da seleção brasileira.

Pensou que seria lembrado logo após o vexame do 7 a 1 na Copa do Mundo do Brasil; esperou no exílio do conhecimento, estudando na Europa, quando saiu do Corinthians. Foi chamado, mas em momento conturbado.

Idealista, Tite sempre levantou a bandeira da honestidade e da transparência, exigindo o mesmo dos comandantes da CBF.

Contrário à administração de Marco Polo Del Nero, foi um dos signatários do documento que pedia a saída do dirigente da entidade.

A vida prega peças, e quando Tite é finalmente convocado para assumir o cargo máximo que um treinador pode almejar, as águas turvas não o impedem de nadar. Aceitou, abraçou e agradeceu.

O presente era para a mãe, Dona Ivone, como resistir?

Sem julgamento de valores, afinal, nem sempre podemos mudar o mundo em que vivemos. Porém, faltou coerência na decisão de Tite. Quando exijo transparência, me alimento de luz, não de escuridão.

A mensagem que fica é que, mesmo contra o sistema, as ideias e a conduta, passamos por cima da ética, aceitamos o fluxo do rio, impotentes, coniventes... para seguir em frente?

E se Tite não tivesse aceitado? E se o técnico hoje mais capacitado para assumir a seleção tivesse dito não à CBF, mostrando que o sonho não é maior do que aquilo em que se acredita, como ousou fazer Muricy em 2010?

E se exigisse uma mudança visceral, total, daquelas que “arrancam o mal pela raiz”, antes de aceitar o cargo?

É, meus amigos, é preciso muita coragem e personalidade para dizer não – não somente à CBF, mas a um sonho – simplesmente por convicção e caráter.

Tite cedeu e acredita que pode, com transparência, mudar alguma coisa, fazer seu trabalho e ajudar a resgatar a dignidade do nosso futebol.

Boa sorte, Tite, o cargo de técnico da seleção é mesmo tentador... porém, aqui no Brasil, é mais efêmero que um chute a gol...

Fonte da Imagem: www.meutimao.com.br

FECHAR

 
Publicidade
Publicidade
Publicidade
 
         
     


Gastronomia

Colunistas

Tecnologia