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25/05/2018

Região sudoeste tem o pior trânsito de São Paulo

Publicado em 26/04/2018

Avenida Cidade Jardim: região dos bairros do Itaim Bibi, Vila Olímpia e Brooklin tem 79% mais trânsito no rush; nova linha de metrô e pedágio urbano poderiam aliviar congestionamentos / Grupo 1 de Jornais

A região que se estende da Lapa, na zona oeste, ao Brooklin, na zona sul, tem o pior trânsito da capital, aponta estudo realizado por meio da tecnologia de GPS. A pesquisa detalhou pela primeira vez em números a diferença entre o tráfego de veículos nos horários de pico e nos demais períodos do dia e da noite. Em bairros como a Vila Olímpia, por exemplo, a circulação dos automóveis chega a ser 79% mais lenta das 17h às 20h.

O levantamento foi realizado pela 99, empresa de aplicativos de carona, com o objetivo de disponibilizar dados para políticas públicas voltadas à melhoria da mobilidade urbana em São Paulo. Com um estudo mais detalhado por região, órgãos como a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) poderão desenvolver estratégias específicas em cada local da cidade.

Na pesquisa, foi utilizada como referência a posição geográfica dos celulares dos motoristas de táxi e dos carros particulares que prestam serviço para o aplicativo, desde o local de origem até o endereço de destino. O estudo também foi realizado em outras capitais do País, como Recife e Porto Alegre, que demonstraram indicadores piores que os da capital paulista em algumas regiões.

Segundo o estudo, uma das rotas mais congestionadas de São Paulo é a que liga o bairro de Pinheiros ao centro. Nos horários de pico – das 7h às 10h e das 17h às 20h –, o tempo médio do trajeto é de 36 minutos, enquanto nos demais períodos do dia o percurso chega a, no máximo, 23 minutos.

Já do Itaim Bibi para as imediações da Avenida Paulista, o trajeto pode levar até 31 minutos durante o rush, e nos outros horários do dia, 19 minutos. Da Vila Olímpia até a Vila Nova Conceição, zona sul, o percurso pode chegar a 22 minutos no final da tarde e 10 minutos nos períodos sem congestionamento .

O estudo mostra que a rota mais complicada é a que vai da Vila Andrade ao entorno da Avenida Brigadeiro Faria Lima, com 46 minutos de trânsito durante o rush e 22 minutos nos demais horários do dia.

Um dos prováveis fatores para o trânsito mais pesado em alguns pontos de São Paulo é o modelo de desenvolvimento urbano. Bairros como Vila Olímpia, por exemplo, foram alvo de intenso processo de verticalização nos últimos 20 anos. Durante esse período, a estrutura viária não foi planejada para uma demanda de veículos compatível com a atual.

Até os anos 80, predominavam na paisagem da Vila Olímpia casas e sobrados, perfil urbanístico que começou a mudar a partir da década de 90. Com a valorização da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, novo polo financeiro da capital, os quarteirões residenciais do bairro foram substituídos por aglomerados de espigões onde se instalariam empresas multinacionais, transferidas das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Paulista. 

Trilhos

Especialistas como engenheiros de tráfego e urbanistas indicam algumas alternativas para melhorar o trânsito nas áreas mais congestionadas da cidade. Na região que compreende o eixo formado pelos bairros do Itaim Bibi, Vila Olímpia e Brooklin, uma das saídas seria a viabilização de uma nova linha de transporte de massa.

Hoje, a região é atendida pela Linha 9 - Esmeralda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), modernizada pelo Governo do Estado em 2008 para atender a crescente demanda de usuários. O ramal de 31 quilômetros liga o extremo sul da capital ao município de Osasco, passando por eixos comerciais como a Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini. A linha, que se estende ao longo de boa parte das margens do Rio Pinheiros, já apresenta sinais de superlotação ao atender em média 325 mil passageiros por dia.

Para reduzir os impactos gerados pelo trânsito no centro financeiro da zona sul, o Governo do Estado avalia a implantação da Linha 20 - Rosa do Metrô. O ramal anunciado em 2011, porém, até hoje não teve o projeto executivo elaborado em virtude da crise econômica que afetou o País nos últimos anos.

A licitação da Linha 20 - Rosa foi aberta pela gestão do ex-governador Geraldo Alckmin em 2012 e orçada em R$ 3,1 milhões, junto a projetos de outros dois ramais de metrô para a Região Metropolitana. De acordo com o projeto, seriam 14 estações: Lapa, Pio XI, Cerro Corá, São Gualter, Panamericana, Pedroso de Moraes, Faria Lima, Rebouças, Jardim América, Jardim Europa, Juscelino Kubitschek, Hélio Pellegrino e Moema.

Além de um ramal metroferroviário, outra saída para aliviar o trânsito na zona sul seria a adoção de medidas impopulares como o pedágio urbano. Nesse caso, ao circular pela região o motorista teria de pagar uma taxa à Prefeitura. O valor arrecadado seria destinado a melhorias locais de mobilidade urbana, como a implantação de corredores de ônibus e obras viárias.

O pedágio urbano foi debatido com frequência nas últimas eleições municipais, mas nunca encarado pelos candidatos como parte de um projeto voltado à mobilidade, possivelmente por conta da desaprovação de parte significativa do eleitorado.

 

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