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18/11/2017

E se meu cachorro for bravo?

Publicado em 18/08/2017

Muitos cães são agressivos. Uma das grandes dúvidas na hora de escolher um cachorro é a índole do animal. Como se portar quando temos ou vemos um cachorro bravo? Tem como saber antes de adotá-lo

Mesmo sem raiva, muitos cães são agressivos. Uma das grandes dúvidas na hora de escolher um cachorro é a índole do animal. Como se portar quando temos ou vemos um cachorro bravo? Tem como saber antes de adotá-lo? Há maneiras de amenizar essa característica? O que fazer?

A Gazeta de Pinheiros – Grupo 1 de Jornais conversou com Marcela Barbieri Boro, zootecnista, graduanda em Medicina Veterinária, franqueada e adestradora da Cão Cidadão para esclarecer algumas dessas questões.

Gazeta de Pinheiros - Existem raças mais bravas que outras?

Marcela Barbieri Boro - Existem raças que, geneticamente, possuem temperamento mais forte. Algumas raças foram selecionadas geneticamente para auxiliar o homem na guarda, na caça e no ataque. Independentemente disso, a maneira como o cão é criado e/ou treinado é o que mais influencia nessa característica.

GP - Como adestrá-los para que não fiquem bravos?

MBP - Cães que se tornam bravos geralmente foram reforçados para tal. Por falta de conhecimento dos donos, muitas vezes o animal é recompensado desde a juventude ao demonstrar qualquer tipo de reatividade. Para evitar que o cão se torne agressivo, o ideal é sociabilizar o animal da forma correta, desde filhote, fazendo bastantes associações positivas e evitando reforçar sua reatividade. Realizar comandos, principalmente os que envolvem limites, pode ajudar bastante. Os comandos são uma forma de comunicação com o animal que pode ajudar bastante em seu desenvolvimento e na forma de se expressar.

GP - Caso alguém adote um cão mais velho que apresente tendências violentas, como deve proceder?

MBP - O mais importante é tentar entender o motivo pelo qual o animal se apresenta assim, e tentar trabalhar sobre ele. O cão pode reagir com agressividade por sentir medo de determinado estímulo, por obter problemas neurológicos, por dominância ou autoconfiança excessiva, por sentir dor ou desconforto etc. O primeiro passo é ir ao veterinário e se certificar de que o animal não tem problema de saúde. Descartada essa hipótese, se o problema for apenas comportamental, o ideal é procurar o atendimento de um adestrador, que vai conseguir entender o gatilho que faz com que o animal reaja dessa maneira e trabalhar sobre ele, principalmente através de dessensibilização e contracondicionamento.

GP - Para cães de guarda, existe algum treinamento que diferencie visitantes de intrusos?

MBP - É importante diferenciar o papel de um cão de guarda de um cão de ataque. Os cães de guarda são treinados unicamente para avisar e alertar os donos quanto à presença de um estranho, sem reagir ou atacar o indivíduo. Cães de ataque são normalmente utilizados pela polícia e treinados para atacar sob comando. Cães bem treinados para guarda são capazes de interromper imediatamente os latidos com o comando do tutor. O cão vai diferenciar o intruso de uma visita que não conhece através do comando do dono, já estabelecido na fase de treinamento. O treinamento e a sociabilização devem começar desde a juventude, para que a função seja feita da melhor maneira pelo animal.

GP - Existem comandos universais para os cães? Se sim, pode dar exemplos?

MBP - Os comandos são uma forma de comunicação muito útil para estreitar a relação do dono com o animal. Independentemente do comando, o cão deve ser criado, reforçado e treinado para que o execute da maneira mais natural possível. Alguns comandos são mais fáceis de ensinar e, muitas vezes, extraídos de um comportamento natural do cão, como “sentar”, “deitar” e “ficar”. Para aumentar a frequência desses comportamentos, basta reforçar o animal (com petisco, brinquedo ou carinho) sempre que executar corretamente o comando.

GP - Como se comportar em caso de ataque?

MBP - Dependendo do tamanho do animal, um ataque pode ser fatal. Para prevenir grandes acidentes, o ideal é evitar qualquer tipo de confronto com o cão. Evitar contato ocular, balançar dos braços e movimentos bruscos pode fazer com que o animal perca o interesse no ataque. Caso o ataque aconteça, procure se apoiar em uma parede para evitar cair no chão. Enrole os dedos nas mãos e mantenha os braços colados ao corpo, de forma a não estimular o cão a continuar a morder. Correr pode acabar alimentando ainda mais o extinto de caça do animal, incentivando-o a atacar. Caso possua algum objeto ao alcance, é válido colocá-lo à frente do cão para que direcione a mordida ao objeto. Se o indivíduo cair no chão, é fundamental permanecer encolhido com os braços protegendo a cabeça e o pescoço para evitar acidentes mais graves.

 

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